Olhas para o frasco do teu creme solar e lá está: SPF 30, SPF 50, por vezes SPF 50+. Sabes que um número mais alto significa "mais proteção", mas se alguém te perguntasse o que esse número significa exatamente, provavelmente ficarias em branco. Não és a única: é um daqueles factos que todas vemos diariamente e que quase ninguém sabe explicar na totalidade. E essa confusão leva a erros com os quais certamente te identificas, como pensar que com um SPF 50 podes aguentar o dobro do tempo ao sol do que com um SPF 30 (não funciona assim) ou confiar num número alto sem ver o que está por trás. Neste artigo, explicamos-te sem rodeios: o que é o SPF, o que realmente cobre e como escolher o teu sem enlouquecer com os rótulos.
O que é o SPF
SPF são as siglas em inglês para Fator de Proteção Solar. Na prática, é um número que te diz quanto tempo a tua pele demora a começar a avermelhar-se quando usas creme solar, comparado com o tempo que demoraria sem nada.
Imagina assim: se a tua pele sem proteção começa a sentir o sol aos 10 minutos, e com um SPF 30 bem aplicado aguenta 300 minutos antes de o sentir, esse é exatamente o cálculo que o número 30 dá.
Aqui está a armadilha: esse cálculo é feito em laboratório com uma quantidade de creme bastante generosa, muito mais do que a que costumamos usar na vida real. A maioria das pessoas aplica entre metade e um quarto dessa quantidade, por isso, na prática, a proteção real costuma ficar abaixo do que a etiqueta promete.
Mais número significa o dobro da proteção? Não exatamente
Este é um dos equívocos mais comuns: o número de SPF não aumenta proporcionalmente à proteção real. Para teres uma ideia:
- Um SPF 15 bloqueia cerca de 93% dos raios.
- Um SPF 30 bloqueia cerca de 97%.
- Um SPF 50 bloqueia cerca de 98%.
- Um SPF 50+ mal sobe daí, nunca chega aos 100%.
Vês a diferença? Entre SPF 30 e SPF 50 o número parece um salto grande, mas em proteção real é apenas um ponto percentual. Nenhum creme solar, por muito SPF que tenha, te protege a cem por cento.
O que ganha com um SPF mais alto é a margem de erro: se aplicares menos quantidade do que o ideal (o que é normal) ou estiveres mais tempo exposta do que pensavas, essa margem extra cobre-te melhor as costas.

O SPF não conta tudo: falta a outra metade da história
Isto é o mais importante que podes levar deste artigo. O SPF mede apenas a proteção contra os raios UVB, que são os que te queimam a pele e se notam rapidamente. Mas existe outro tipo de radiação, a UVA, que penetra mais profundamente, não te queima no momento, e é a principal responsável pelas manchas e pelo envelhecimento da pele a longo prazo.
Um creme pode ter um SPF altíssimo e, ainda assim, proteger mal contra os UVA se a sua fórmula não estiver pensada para isso. Por isso, na Europa, além do SPF, os cremes solares têm de passar um teste extra para poderem ter o símbolo UVA (as letras dentro de um círculo) na embalagem. Se não o vires no frasco, esse creme não garante esse extra de proteção contra o envelhecimento.
Assim, quando comprares protetor solar, não te fiques apenas pelo número de SPF: procura também esse símbolo UVA. É um pequeno detalhe que faz uma grande diferença.
Filtros químicos e filtros minerais: não é a mesma coisa
Para chegar a esse número de SPF, os cremes usam filtros solares, e aqui há dois caminhos muito distintos.
Filtros químicos
São ingredientes como a oxibenzona, o octinoxato ou o octocrileno. Funcionam absorvendo os raios solares e transformando-os em calor. São muito usados porque deixam texturas leves e agradáveis. O problema é que vários deles levantaram dúvidas: possíveis efeitos como desreguladores hormonais, alergias documentadas na pele e um dano comprovado aos corais, tão sério que o Havai e Palau já os proibiram.
Filtros minerais
O óxido de zinco e o dióxido de titânio funcionam de outra forma: ficam na superfície da pele como um ecrã físico que reflete o sol, sem necessidade de o absorver. O óxido de zinco, em concreto, cobre muito bem tanto os raios UVA como os UVB.
Durante anos, o problema destes filtros era estético: deixavam aquela camada esbranquiçada pouco favorável. As fórmulas de hoje, com partículas mais finas (mas não nano), resolveram bastante essa questão, por isso já podes ter proteção física de qualidade sem parecer um fantasma.
Que SPF te convém?
Não há uma resposta única, depende da tua pele e do que vais fazer.
Se tens a pele clara, sensível, ou sabes que te queimas com facilidade, e vais estar exposta de verdade (praia, montanha, um dia inteiro ao ar livre), usa SPF 50. Dá-te mais margem, e como quase nunca aplicamos a quantidade ideal, essa margem é muito útil.
Para o dia a dia — ir trabalhar, fazer recados, um passeio — um SPF 30 com bom selo UVA costuma ser mais do que suficiente, desde que o apliques com generosidade.
Os SPF entre 15 e 25 também protegem, mas com menos margem de erro. Hoje em dia, a recomendação geral é não descer de 30, precisamente porque sabemos que na vida real aplicamos menos quantidade do que deveríamos.
A quantidade importa tanto quanto o número
Aqui vai uma verdade desconfortável: nenhum SPF compensa uma camada demasiado fina. A quantidade de referência para todo o corpo equivaleria mais ou menos a um copo de shot cheio de creme, e para o rosto seria como uma colher de chá rasa. A maioria de nós aplica muito menos do que isso.
Além disso, a proteção vai-se perdendo com o suor, o atrito da toalha ou da água, mesmo com os cremes "resistentes à água", que só aguentam bem entre 40 e 80 minutos de banho, não o dia todo. Por isso, a reaplicação a cada duas horas não é um exagero: é o que faz com que a proteção real se aproxime da que o frasco promete.
Mitos sobre o SPF que vale a pena esclarecer
"Com SPF 50 aguento o dobro que com SPF 30": não funciona como um cronómetro que se multiplica. A diferença real entre ambos é de apenas um ponto percentual de proteção. O que muda é a margem de segurança, não o tempo que podes estar ao sol.
"Se o SPF é alto, já estou totalmente protegida": o SPF apenas se refere aos raios UVB. Sem o selo UVA, a tua pele pode estar a sofrer todo o dano silencioso do envelhecimento sem que o notes.
"Os protetores minerais protegem menos": essa fama vem das fórmulas antigas, espessas e esbranquiçadas. As de agora oferecem uma proteção igualmente boa, com uma composição muito mais tranquila.
"Se não me queimo, não preciso de reaplicar": o dano dos raios UVA não se nota no momento, mas vai-se acumulando na mesma. Não te queimares não significa que a tua pele esteja a salvo.
Como escolher bem o teu protetor solar
Resumindo o importante em três gestos simples:
Vê se tem o selo UVA em círculo, não apenas o número de SPF.
Dá uma vista de olhos aos ingredientes: se vires óxido de zinco ou dióxido de titânio em vez de filtros químicos, terás uma proteção mais tranquila tanto para a tua pele como para o mar, se fores nadar.
E, acima de tudo, não poupes na quantidade e lembra-te de reaplicar a cada duas horas. O melhor protetor do mundo não serve de muito se for aplicado numa camada muito fina.

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Perguntas frequentes sobre o SPF
1. Um SPF 100 protege o dobro de um SPF 50?
Não. A diferença real entre ambos é mínima, apenas um ponto percentual de proteção. Tanto a FDA como vários dermatologistas europeus questionaram a utilidade de rotular cremes acima de SPF 50+, porque esse número tão alto pode dar uma falsa sensação de segurança e levar a que apliques menos quantidade do que o necessário.
2. O SPF do meu creme hidratante ou maquilhagem serve?
Para o dia a dia normal, pode servir. Mas se fores apanhar sol de propósito, é melhor não confiares apenas nisso: estes produtos são aplicados em quantidades muito pequenas e quase nunca são reaplicados, por isso não substituem um creme solar de verdade.
3. A proteção solar expira?
Sim. Com o tempo, o calor e a luz, os filtros degradam-se. Repara no símbolo do pote aberto com um número de meses (isso é o PAO) para saber quanto tempo podes usá-lo depois de aberto. E nunca o deixes no carro ou exposto ao sol na praia, porque isso acelera muito a sua deterioração.
4. Faz sentido usar SPF 50 todos os dias se vivo numa cidade sem muito sol?
É seguro fazê-lo, mas provavelmente não é necessário. Para o dia a dia na cidade, um SPF 30 com bom selo UVA costuma ser suficiente. Guarda o SPF 50 para quando fores estar realmente exposta.
5. Os protetores minerais deixam sempre aquela camada branca?
Não necessariamente. Essa era a reputação das fórmulas antigas. As de agora, com partículas mais finas, espalham-se muito melhor na pele sem perder a sua proteção.
6. Preciso de um creme diferente para o rosto e para o corpo?
Não é obrigatório, mas geralmente compensa. A pele do rosto é mais sensível e está exposta quase todos os dias, por isso muitas pessoas preferem um creme facial específico, com uma textura mais leve e pensado para usar por baixo da maquilhagem.
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